quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Rezando...

Ana era, como gostava de dizer, uma mulher de fé. 
Tinha seus santos, suas metas, devoções e sim, rezava todo o santo dia. Se, por acaso, dormia sem rezar, acordava na madrugada e se perguntava: e se eu não rezar hoje por estar muito cansada... Será que Deus vai entender?

Ana se sentia abençoada ao ir às missas. Aprendera, primeiramente com seu pai, católico e sua vó paterna a participar da missa, escutar o padre. Queria, em seus sonhos, casar na igreja, entrar de branco... Tudo aquilo... 
Mas o destino não lhe deu isso. Bem, seu pai desvirtuou-se, em tempos atuais, dizia que Jesus havia casado com Maria Madalena e ainda por cima, que o livro "O Código Da Vince" revelava verdades... Ela sempre dizia, que, por mais que pudesse ser viável, acreditava em Jesus sendo o Salvador. Discussões eram travadas... Com tempo ela aprendeu a concordar é ao final, fazia como Galilei: "mas que Ele é... É!" 

Também, acabou casando com um homem que até era cristão, mas não católico e isso interferiu muito na sua vida. Ela não podia ser abertamente católica, não podia ter ser santos! 
Depois de se desfazer de tudo isso, conseguiu ir e participar das Missas. Ah, para ela foi um como se fosse batizada novamente. Voltava pra casa, santificada.

Tudo era paz, amor, palavra de Deus... 

Só havia uma coisa que poderia perturbá-la: era falar no ex. Ela não suportava a ideia de alguém, falar-lha daquela pessoa... Ela começava dizendo, mais ou menos assim:
"Senhor Jesus, tenha misericórdia de mim... Mas..." E vinha uma lista, conforme o contexto. Depois culminava na grande magoa: "Ele, um "homem dito de Deus" - sabe-se lá que deus ele possa realmente cultuar -, fazer o que fez... Passar por bom as minhas custas... Blablablá... Meus móveis estão lá, dando-lhe conforto... E eu aqui, jogada e tendo que viver a mercê da "boa vontade alheia"...

Em verdade, ela não perdoava quem, por anos construiu uma família, edificou-lhe uma profissão e graduação, que agora, ela, em meio ao inverno, submetia-se a dependência de outras pessoas. Não perdoava o fato de ele ter sido tão frágil... Ela não conseguia mais nem olhar pra ele, sua presença a deixava mal... 
Não suportava aquele papel de homem bom e ela sendo uma bruxa. Ele dizia que Ana era muito brava e não tinha como ter diálogo... Ela respondia de canto... E quem disse que quero ter diálogo com um homem dessa laia? 

Enfim... Ela não aceitava o seu lugar, sentia-se por baixo, humilhada por muitos...

Onde era que encontrava aconchego? Em seus santos, na Virgem Maria, a quem dizia ser filha, uma vez que... "Na sexta-feira Santa, Maria tornara-se a Mãe de todos". São Miguel que pelejou contra o Inimigo e o expulsou do céu... São Jorge, nossa Senhora da Graças, Nossa Senhora Desatadora dos Nós, Santa Bárbara, Santa Clara e São Francisco... 

Ela rezava e pedia perdão... Sofria por não poder dar o conforto que prometera aos seus quando assumiu certas responsabilidades. 

Hoje, na Missa, o Divino passou... Ela entrou em êxtase... Tocou, rezou e acreditou: tudo será restituído...

E como boa carola... Acalmou-se. 

Que Ana possa, de fato, conquistar essa paz que tanto almeja e necessita.

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