Ela estava cheia de trabalho, como quase sempre.
Passava por um período delicado de sua vida, onde amor seria uma estupidez.
Mas depois de tanto tempo, de tantas saudades de um espaço-tempo fabuloso que somente residia em sua memória, buscou acalentar aquele coração quebrado em algumas páginas escritas. Era um carta, redigida por uma mulher a quem tinha muito apreço. Ela foi como uma mãe, aliás, sempre se referiu assim a ela: "aprendi a entregar amor ao meu filho depois da vivência com "aquela mulher". Leu, chorou... Sempre chorava ao ler aquelas palavras.
Parecia incompleto se não buscasse as palavras dele. Foi. Leu. Sentiu uma grande falta das bobagens ditas por ele, que nesse momento iriam ser muito indicadas. Lembrou de momentos tão singulares... Como num dos raros banjos de mar que teve com ele: entrou sem medo algum (ela só faz isso com o próprio pai, não há outro homem que lhe convide a entrar no mar que ela tenha aceito). Também lembrou d momentos simplórios, de momentos amorosos e estes deu especial tempo... Suspirou longamente, ele era bom! Muito bom. E de repente vacilou o pensamento e imaginou-se com ele, agora não mais uma adolescente, mas uma mulher com um homem que ele se transformara. Paredes ficariam rubras de tantos feitos...
E ela voltou ao presente, as palavras que ele escrevera, de fato, foi só o que ficou.
E isso poderia ser bom.
E isso poderia ser ruim ou até mesmo trágico.
Ao dormir, ainda deu um sorriso de leve, pensando consigo: o que vivi, ninguém mais me tira. O que amei, ninguém me tira. O que sonho, ninguém me tira.
Ela tinha dessas coisas, medo de perder, medo de ser roubada e terror de ser abandonada. E tudo isso já havia acontecido com ela. Por isso guardava na memória os melhores momentos.
Mas aquela carta lhe disse quem ela, no fundo, nunca havia deixado de amar.
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