domingo, 28 de setembro de 2014

Livro vermelho... Segredos.

C.G. Jung deixou em segredo um livro de muita importância aos psicanalistas. Ele escreveu praticamente ao longo da vida, registrando reflexões, experiências íntimas. 
Cham-se Livro Vermelho, pois seu original era manuscrito e tinha uma capa vermelha. 

Muito se rondava a que segredos poderiam ter ali. E esse grandioso homem, que muito contribuiu na psicanálise, que rompeu paradigmas, que, no meu nada humilde ponto de vista, superou o mestre Freud... Enfim, um criativo homem, que, em sua curiosidade buscou a sua mais pura e temível essência. Sou uma fã, sou uma leiga buscando os farelos deixados por ele e seus seguidores. 

Adquiri esse exemplar ontem e claro, iniciei minha leitura imediatamente. Antes do filme que ia assistir, fui devorando a obra. 

Eu não sei o que virá, ao certo nesses meses futuros. Não sei o concreto e me sinto feliz por isso. Senti sentimentos tão tristes, tão desumanos e sobrevivi. Só por ter sobrevivido a eles, sou grata. Me sinto, cada dia mais eu mesma. Cada dia mais a minha essência. Tenho ganas de sair caminhando até criar bolhas nós pés... Mas continuar a trilhar meus caminhos.

Quando as pessoas me dizem que pareço bem, é um elogio tão grande! Pois me sinto bem! Transpareço aquilo que sou. Antes me apegava apenas ao trabalho, mas agora... Quero a primavera, os perfumes, o pólen coçando meu nariz... Os espirros serão motivos de alegria, pois uma nova estação chegou em mim. O inverno se foi e agora quero amar a primavera, as flores, os sabores, as caminhadas, a sensação de dever cumprido e a vitória sobre meu corpo.

Vivo minhas intensidades, minha espiritualidade, e vou desapegando do passado. 
Li Jung reclamando das posturas de Freud na interpretação dos sonhos de Jung, e ele as senti castradoras. Eu também vivi isso. Mas isso passou. 
Agora, vira um tempo novo. Virá o tempo de colheita. Nós encaminhamos para um novo momento.
Meu ano 7 tem mais alguns meses e terei de assumir meu ano 8 de  trabalho e coordenação. Será que assumirei minha missão ano que vem? Não sei. Só sei que como 2014, nunca mais se repetirá. E eu aprendi tanto até aqui. 

Fui abandonada para poder, de fato, caminhar meus caminhos. Saber com quem contar, saber me respeitar. Me amar, antes de sair tentando amar novamente. 
Sei que coisas boas virão. Sei que o bem praticado retorna. Sei que o que fizemos com amor é como flores, não sabemos nada no inverno, mas depois, na primavera, vemos sua exuberância e força.

E eu, escreverei meus segredos, meus sentimentos e sonhos. Quem sabe um dia, tenha eu um livro que as pessoas queiram ler, aprender e se sentirem melhores. 




sábado, 20 de setembro de 2014

Sorvete

Como diz meu professor holístico: "está tudo certo".

Ontem fui ao shopping Barra, aqui em Porto Alegre. Minha amiga iria pagar umas contas e decidimos tomar um café. O que, na verdade se tornou um sanduíche na Subway e suco.
Entre conversas, observo a sorveteria que adoro é a convido para tomar um sorvete. Ela se recusa, mas disse que esperaria.

Fui até lá, o rapaz se coloca a disposição e eu, como sempre, faço alguma piada. Ele pergunta se eu queria algo mais e eu respondo com um sim, ser rica... Enfim, chega a colega dele e me oferece dois novos sabores. Eu amo lugares assim, que as pessoas são agradáveis. 

Eu experimento o sabor pudim e me encanto. Meu cérebro, já disposto a pedir o "de sempre": dark com ferreiro, ou banana caramelada e algum chocolate. Mas algo me fazia não querer nada disso. E então percebo uma Sandra quase que indecisa. Não, não era indecisão. Era uma vontade de não fazer o óbvio. 
"Quero pudim e... E... E... Nossa, o que eu quero?" E ri por conta de descobrir uma Sandra que não tinha uma resposta prontinha! 

Saí com um pote de dois sabores: pudim e menta. Será que combinam? Combinam com minha vontade de fazer diferente.

Nada está sob controle, então, acho que é preciso aproveitar a montanha russa.

Sinto que o vivo hoje, coisas agradáveis e outras nem tanto, podem me proporcionar um rico aprendizado. E sei disso. Confio.

Um sorvete de sabores diferentes, pode e acho que é, um passo para outras mudanças.

Me sinto tão feliz de me permitir. Me sentir e viver essa liberdade. Ora, como vou saber o sabor se não provar? E logo eu que amo comidas?

Gosto tanto de viver, aprender, partilhar, ensinar. E como farei diferente se não fazer diferente com minha vida?
Passei muito tempo sendo quadradinha. 
Agora, nessa nova fase, como diria uma orientadora, "como amar se não se amar? Como saber o que não gosta se não saber o que gosta? Se ficar assim, viverá o que os outros gostam e não será feliz!"

E quem sabe, seja exatamente isso que a vida me presenteou. Poder mapear meus gostos, fé, expectativas... 
O maior desconforto na vida, acho que não é o material, é o da alma! 

O sorvete me fez pensar... Doce e gélido.
Que venha essa primavera, verão - estações que não vivo na sua beleza há anos. Vou me presentear com sua passagem por minha vida. 

Não, não quero que mais que acabe logo o 2014. Esse ano será um março na minha vida. Será um renascimento. 
Está sendo difícil, mas a maioria dos partos o é! E ao nascer, temos que respirar fundo e isso dói. Contudo, o choro é vida. O sentir frio é vida também. 

O acolhimento dos adultos ao redor é momento de alegria. Me sinto agraciada por aqueles que dedicam seu tempo comigo. A estes, partilho minhas orações e peço que eu possa ser merecedora deles em minha vida.

E na dúvida, não se sinta menor, se sinta feliz, pois a dúvida pode ser a chave para novidades! 

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Nova

Ontem consegui lembrar, não de um fato específico, mas de momentos de risadas de um tempo que se foi. 
Foi pensar que nem tudo de ruim acontece.
Sabia que chegaria esse tempo de lembrar coisas boas. Não lembrei com saudade, mas com gratidão.
E talvez seja assim que deva ser. 

Quem sabe eu consiga, depois dessa limpeza da alma poder refazer-me. Deixar 25 anos de histórias e sentimentos pra trás e escrever um novo livro. Agora, com maior paz, outros desafios, mudanças para me tornar aquela que desejei.

Uma Sandra Letícia repaginada, feliz e tranquila. 

sábado, 13 de setembro de 2014

Gratidão

Me sinto sempre grata aos que me ajudam...
Desde uma porta que se abre ou que não se deixa fechar.
Um sorriso, um obrigado, um aceno, um "você não se mistura mais com os pobres?", uma bala, um doce, um abraço, um beijo na testa...

São pequenas coisas... quase desapercebidas. 

Eu me sinto grata pelos pequenos detalhes, pois só eu poderei vê-los. Não é para a plateia.
Eu gosto daquele bilhete inesperado, da curtida, twiter, do +1, e tantas outras formas de se fazer presente.

Quando, nesta semana partilhei a impossibilidade de ir a Gramado por ter que segurar algumas coisas... Imediatamente o pessoal se organizou e colocou que nada poderia me impedir de ir - é carona? a gente consegue, é alimentação, dá-se um jeito... é a grana do curso, conversamos! - Quem faz isso?

Quando me escreveram "somos irmãos espirituais", rolou lágrima!

É que me vi... tantas vezes eu fiz e nunca imaginei que precisaria... e teria gente me apoiando.
Nem meu filho acredita que o curso é importante...
Se é importante pra mim... Ora, ele é importante. As vezes acho que meu filho está se tornando um incrédulo... heheheh...

Mas o fato importante aqui é saber receber. Me perguntaram até onde ia meu orgulho... kkk

Cada dia é um obrigada:
pela vida, pelo dom, pelo amor, pelas aprendizagens, pelas oportunidades, pelas chances que por vezes até se repetem.

Estou vivendo experiências que não imaginava viver. Aprendendo por caminhos diferentes. Vendo verdades, aprimorando o olhar.
Onde vou chegar? Se for mais perto de mim mesma, é o suficiente.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

O que é justo

Já haviam lhe alertado das artimanhas que viriam após sua separação. Readaptação, novas rotinas, pessoas, agendas, frustrações, falaram em "sentir falta"...

Em verdade ela sentiu muita falta do conforto que tinha. O resto, não. Como a liberdade é maior, ela se sentiu quase que feliz com isso. Dele, nenhum dia, ela sentiu falta. Ela sentiu alívio de não se sentir presa a um relacionamento morto.

Mas sempre há os infortúnios... As conversas que não se esgotam e acabam em brigas se não tiver muito sangue frio - o que ele preciso desenvolver a fórceps! -. 

A medida certa de justiça, num caso assim, não pode ser mensurado por alguém de fora e tão pouco por alguém envolvido... Suponho que não há solução, há tentativas... E mais tentativas...

Ela criou o filho com liberdade de expressão, mas cautelosamente com responsabilidades até da virgula e entonação de voz que o filho deveria precaver-se e jamais ser desrespeitoso. Ele diz o que pensa e cara, ele pensa muito. 

Ao mesmo tempo que ela se orgulha desse cara, passa alguns bocados por essa liberdade dada. 

Ele tira conclusões e discute detalhes... Argumenta... E tece as relações entre as falas. Desenvolveu bem essa habilidade da mãe.

Ela busca ser muito justa, ao ponto calcular dias... Se deixarem, ela é capaz de contar as horas. Corre pra ver seu amor... Ele pertence a uma relação tão pura,, tão transparente e tão leal da parte dela. Ela o ama mais que tudo. 

Diz pra qualquer um que ela o gerou e deveria de ter mais tempo com ele, que por ter doado seu cálcio para ele se desenvolver, merecia não dividir seu tempo com ele com ninguém. 
E hoje, uma mulher disse: se não fosse aquela pequena contribuição, você nem o teria, faz parte da vida! 
Ela pensou: boçal! Não és mãe? Ora! Nosso amor é egoísta e incondicional! Qualquer um sabe disso. Esse viver relativamente bem... Afff! Me poupe da tua existência.

A justa medida é, sem dúvida, para uma mãe apaixonada, o bem pro coração dela e não o bem de todos. Ela só divide o tempo com o pai, por ser bom pro filho, deixá-lo feliz... Pois se pudesse, acho que delegaria o pai! 

Exageros a parte, no fundo, uma mãezona, dessas superprotetoras e tudo mais, sente a falta do filho, sente que algo está perdendo na convivência dele. Ah, esse amor grande demais para um coração só! 

domingo, 7 de setembro de 2014

Sensibilidades e fortalezas

Qualquer um que me conheça por mais de 10 minutos saberá do meu amor maior que é meu filho.

Também sabem que ele é minha fraqueza e minha fortaleza.

Há algumas pessoas que podem tentam me afetar, mas pra tentar me derrubar, terá que mexer com meu amor.

Sim, sou leoa, das bravas. Nunca me enfrente com raiva ou gritos. Nunca seja burro o suficiente em ter verdades sem bases, argumentos sem fatos e testemunhas.

Nunca me dou por vencida, vou em busca de explicações, não aceito uma verdade sem a ver por diversos lados. 

Também, sou tola o suficiente em abraçar alguém e caminhar com ela até que esta esteja bem. passo horas orientando alguém e deixo de fazer o que havia me designado. Pois, o que vou fazer pra mim, posso fazer a qualquer momento e pra outros, bem, a dor do outro sempre deve ser acolhida na emergência da vida.

Sim, sou tola... tola por não receber isso.
Pode ser como uma amiga disse: "você é muito durona. Ninguém é assim!"
E as pessoas pensam que não se precisa de ninguém.

Eu preciso de pessoas. Preciso de colo, de amigos, de risos, de sorvetes, de aquarius, de filme... de um sofá e um "vem cá, meu bem... que é bom lhe ver..."

Mas... "hoje não dá... hoje não dá".

E vou seguindo, com essas minhas fortalezas. Meu filho e o amor por ele, me nutrem. As pessoas que invejam essa relação é por terem queimado suas oportunidades e lhes digo não a qualquer favor que queiram dispensar a mim... e eu sei que não é verdadeiro.

Sigo, maquiando minhas sensibilidades... dizem que não vou casar novamente por conta disso... Enfim, se um homem não percebe as sensibilidades de uma guerreira, por que haverá de querer algo com ela?
Não me importo com a solidão.
Me importo com boas companhias e a solidão anda ganhando de virada!

Corpo doente

Desde o dia 15 de agosto, vivo um desgosto... Parecia, na minha humilde opinião que eu passaria o inverno sem ficar doente... Ano passado foi um inferno.

Mas... Dia 15 eu acordo com dores no rosto, lado direito. Passa-se quase uma semana, e por uma situação, que algumas pessoas acharam exagero da minha parte - o que da minha parte só me mostra a insensibilidade daqueles que me cercam -, mais uma pressão:  quebro dois molares!  As dores se intensificam.

Depois de consultas, finalmente sei que farei um tratamento d canal, pois o nervo ficou exposto. No domingo, começa uma tosse violenta, durmo pouco. Passo a segunda-feira a tossir. Terça, fico sem voz. Quarta, também! E claro, tudo isso cheia de dor. Acordava tão enjoada e cansada que minha cara era evidente que o mundo estava a cair! 
Na quinta, começo o procedimento. Digo tosa a ladainha pro dentista: posso desmaiar, sou muito sensível a dor, preciso de xilocaína, analgésicos, água benta e um japamala pra ir rezando...
Feito isso. Nada disso ajudou. Tivemos que ter anestesia diretamente no nervo, coisa que me fez pular da cadeira. Dores, muitas dores. Até que o dragão aqui, começou a chorar... "Não se é forte o tempo todo" diz uma colega de trabalho. É... Parece que não. 

Aí... O dentista coloca um curativo e diz pra eu marcar o retorno... Peraí... Ainda dói... Sim, é preciso terminar... E eu pensei: "saí viva, acho que a ideia é eu sair dentro de um saco preto!"

Ok... A gente pensa, o pior já passo... Não! Com aquela maldita tosse, casa vez que eu tossia, parecia que o molar iria ser arremessado boca a fora. Um espirro era para morrer...

Óbvio que emagreci mais. As roupas frouxas, o cansaço, as dores... E os alunos... Ah eles são demais.  Na quinta, minha voz estava quase boa e os alunos da tarde chegaram, me abraçaram e concluíram: profe, tu arrumou o dente e consertou  a voz. Eles são uns amores! 

E continuo aqui, tossindo e espirrando. Não posso mastigar bem, então a dieta se baseia em coisas que podem ser dissolvidas com líquidos. Na sexta, fui ao Praia de Belas e assisti "E se eu ficar". Excelente filme. Jantei no Bamboo, adoro aquela comida. No sábado, passei de cama. E agora, ainda na cama, vejo o tudo que preciso fazer.

O corpo doente, cansado, abatido...
Sem meu filho por perto, pois o deixei com o pai para que ele não ficasse preocupado com meu estado - a dentista havia dito que poderia ter que fazer uma pequena cirurgia na gengiva -, não gosto de passar tanto tempo assim longe dele. Mas as coisas acontecem. E  preciso dar conta disso. 

Minha amiga me ligou, queridona, preocupada comigo. Rezei, meditei e obtive respostas. 
Acho que é preciso aproveitar até isso: estar de cama e repensar a vida.

Corpo doente, alma em mudança.

Me sinto bem com meus pensamentos. Meu corpo será curado.