quinta-feira, 28 de março de 2013

Dois lados

No primeiro ano que exerci a profissão de professora, me disseram que eu era "disciplinadora". Aquilo soou  pejorativamente. Mas nunca me esqueci.
Hoje em dia, os terrores vem para minha aula e as pessoas do meu convívio comentam que vou por "nos eixos".
A fama continua, disciplinadora.
Há quem não goste. Há quem goste. Como tudo e todos na vida. Não agradamos a todos.
E hoje em dia, faço meu melhor, meu possível e o resto não dá pra esperar que a fada madrinha venha e faça mágica. 
Também, não abuso do conhecimento e ouso dizer que uma criança agitada tem hiperatividade, como muitas professoras fazem! Tive um caso desses, a professora anterior a mim, constatou que "Joãozinho" era TDAH... Quando chegou para estudar comigo, disse para a mãe dele que ele era muito agitado, lhe faltava a disciplina do corpo, mas que no meu ponto de vista, não tinha esse transtorno. Me comprometi em cooperar com ele para termos um ano letivo produtivo. Cheguei em casa batendo os calcanhares... indignada. Como pode ser possível, a professora ficar tranquila quando uma criança é medicada sem necessidade? E se fosse o filho dela?
Não foi fácil lidar com o menino, mas seria pior lidar com minha consciência!

A disciplina dada e vivenciada com carinho, com propósito, tem bons resultados. Também não podemos confundir rigor com pavor, medo com respeito. Eu brinco com meus alunos, rio, conto situações engraçadas e escuto as deles (na medida do possível). Ensino, corrijo, encaminho, cobro, faço cara feia e tudo. Mas quando passa isso, dou carinho, chamo de meu anjo, meu querido, amada, coisa linda da profe e afofo, dou beijo, carinho...

Não sou molenga, não sou carrasca. Procuro medir as situações. Dou minha palavra que se a regra for quebrada eu busco outras pessoas para resolver comigo a situação, e depois vou. Vou até o fim. Negocio, combino e depois cada um cumpre o estabelecido. Claro, são crianças, mas não esqueço: são crianças que pensam e podem pensar e fazer melhor!

Hoje, o que um dia foi usado para me fazer desistir do meu sonho, é uma das minhas fortalezas! 

domingo, 17 de março de 2013

Pés frrios

Depois de uma deliciosa noite de outono - e ele oficialmente nem tá aí! -, acordo com miados enlouquecidos de Jack, meu mais novo gato novo. Com os pés descalços fui correndo até o outro quarto abrir a porta e deixá-lo sair, dar ração, sachê de carne e um leitinho morno. Meus pés rapidamente esfriaram. Entrou pela janela da sala o Thygra, meu gato tigrado - afônico - e vou para cozinha, dizendo: o que tu me pede em silêncio que não vou te servir? Servi a ração dele em seu pote, chegou seu irmão Panthro e logo me abaixo para acarinhá-lo e ele rejeita, afinal, é o Panthro!
Cada um de meus animais tem um jeito de ser, cada um com suas manias e sei que não passo de serviçal a eles!
Cães, ao meu ver são os que cuidam de algo para nós, os gatos, ao contrário, querem o nosso cuidado, mas na hora que eles assim o desejarem, da forma como idealizam... - gatos idealizam? Sim! os meus fazem o que minha imaginação determina... como um gato! -

Meus pés gelados me lembraram de muitos outonos... das torradas na casa de minha mãe quando era criança, dos filmes nas casas dos amigos, eu enroscada em cobertores ao longo das madrugadas acordada com um saboroso companheiro chá.

Agora, estou com Jack a dormitar no meu colo, equilibrando o pc e uma gostosa coberta sobre mim, meias nos pés e uma preguiça enorme. Pilhas de trabalho me esperando, cada folha querendo ser a primeira a ser corrida... Tabelas para preencher, nomes a colar, pastas a organizar com papéis corridos e as tabelas já preenchidas. Um almoço a fazer, um filme no cinema que me aguarda, uma detestável coelha incompleta na mesa esperando para ser costurada no trilho de mesa que era pra eu ter aprendido a fazer no sábado...
Um coração partido... quase dois meses sem falar com meu pai. E tudo me espera ou eu que os deixo a esperar...

Tenho meu filhote aqui, calorozamente ao meu lado. Ele nada espera, só vive um dia de cada vez e eu, no passado, com o presente atrolhado de coisas e um futuro incerto como de todos os mortais.
Que dó do meu perfeccionismo e vontade de que tudo esteja perfeito e pessoas ao meu redor felizes!

E o pior no meu corpo eram meus pés gelados... mas se parar para pensar... tem muita coisa gelada em mim!

sábado, 9 de março de 2013

Por que mudamos?

Se mudamos isso mostra algum nível de inteligencia, afinal, isso é adaptar-se. A pessoa pode até sofrer, por um tempo sobre alguma coisa, mas precisa ser um tempo, um tempo de luto, de despedida, de aceitação e de desapego. Palavras podem parecer fáceis e superficiais, mas são delas que construímos nossos ideais e cavam nossas sepulturas: o não, o sim, o nunca, o "te odeio", o te amo mas não dá....

Bem, se precisamos mudar e resolvemos mudar são duas instâncias diferentes. Precisar, todos precisam, resolver mudar, nem todos aceitam, pois demanda desacomodar. Não sou exemplo nenhum, tenho minhas covardias, meus medos e tenho uma audácia as vezes que me surpreende.

Posso cozinhar uma situação por anos, só pra provar que estou certa e isso não é inteligência, é orgulho e soberba!

Buscar ser feliz com um ideal, uma pessoa ideal não é real. Sei por ter passado por isso durante anos. E quando as pessoas me perguntam e daí, como tá? Respondo: eu vi o real e descobri que seria difícil demais tê-lo comigo. Houve o luto, houve tempo de despedida e da aceitação. Não vou dizer que hoje só caminho sobre flores, não isso é ridículo. Mas essa mudança foi fundamental, assim como outras que se tornaram importantes para meu conhecimento de vida.

Acho que mudamos para buscar novas experiências, perspectivas e termos momentos felizes para adoçar tanta luta nos dias que vivemos.
Hoje, não alimento mais algumas ilusões e isso não quer dizer que não seja idealista como sempre fui. Que desacreditei que pessoas possam amar, que a poesia não possa ser escrita e que um olhar possa dizer 872 intensões...
Mudar para viver mais melhor, com menos culpa e deixar o "se" no lugar dele: um lugar que não quero visitar.