Em pedaços
com pedaços
apenas pedaços
São fragmentos de bem viver, misturados com mentiras, fatos e desastres.
Uma borra cheia de poeira, é uma das maneiras que sinto minha vida infame.
Uma vida de lutas, de alguns amores e muitos transtornos.
Um tempo que passo pela vida, nessa existência que reclamo e não mudo.
São temores.
São grandes demais.
Sou forte de menos.
Faço mil caras para disfarçar quando na verdade, apenas minto razoavelmente péssimo -se fosse bem, até eu acreditaria!
E sigo de cena em cena, a cada esquina, equilibrando o pranto junto a um sorriso mal dado, um copo de vinho e saltos altos. Uma dose de bem estar para afastar a realidade tão difícil.
Não estou a beira de um suicídio, não. Não tenho coragem pra isso.
Sou uma esperançosa que perde a vida pelas frestas das mãos... a ampulheta do tempo não tem presentes para ninguém e meu tempo se esvai.
Sei o que é preciso, mas meu medo é maior que tudo.
As decepções não me ajudam a confiar em nada e nem em ninguém.
É complicado olhar o lado do avesso das pessoas e depois dizer que a vida é bela. Lamento, mas ela não é assim, a que a torna bela é o lado que se olha.
Preciso atravessar a ponte, como diria meu amado Bion. É preciso seguir em diante. É necessário dar o passo, é justo que o faça para que, adiante, possa entregar-se novamente ao descanso de minhas lutas.
Receber o bálsamo às minhas feridas, o mel que alimenta o corpo e acalma a alma.
Mas é só depois da ponte.
Estou em pedaços.
São pedaços que tenho.
E tenho que seguir, ainda assim.
"É o fôlego que se toma antes do salto"
"Ser portador do anel é estar só"
Então, vou.
Mas não sei quando.


