Ela saiu de seu trabalho, depois de muitas horas resolvendo, orientando, escrevendo... Saiu elegantemente em tons de cinza, preto um rosa claro. Sapatos e calças pretas, coladas ao corpo, uma blusa fina cinza, porém bem agasalhada para a temperatura do inverno na cidade e um sobretudo de lá, acinturado, com 6 botões. Uma linda e grande manta rosa e finas deixava evidente seu bom gosto. Ela queria exatamente isso: marcar presença.
Bem maquiada e usando o perfume que ele conheceu nela, mostrou-se como realmente é: forte, decidida, bonita, radiante e mulher acima de tudo. Seu "poc-poc" de seu salto, deixava o ambiente com certa expectativa, quem vem lá?
Faziam algumas semanas que não se viam. Ela não sentia falta, pelo contrário, está feliz por não o ver mais. Contudo, queria fazer o possível para demonstrar o quão bem ela vivia longe dele. Para que ele, mais uma vez pudesse ver quem ela era, quem ele perdera... Quem jamais ele teria novamente!
Dessa vez, mostrou sua fortaleza, exigiu atenção, apresentou seu conhecimento e não admitiu que ninguém dissesse o que ela tinha a fazer.
"Não, você não é autorizada por mim a fazer isso, a resolver aquilo..." Cada vez que pensava é desmoronar e dizer que estava cansada, respirava e pensava no seu grande amor... Lembrava do sapato em seus pés, das suas vontades... Vinha uma força de dentro, uma força da alma, do filho... E defendia veementemente suas ideias.
Domou o que queria.
Saiu do lugar crédula que sendo assim, agora a respeitariam.
Ele a acompanhou. Ela queria apenas sair dali, de perto dele... A sua presença a deixava inquieta, com raiva, com tristezas... Perderá tanto... Pagou por uma liberdade que ainda não desfrutava... E isso a fazia sofrer...
Em dado momento ele encostou em seu braço, como se fosse um antigo amigo... E ela começou a passar mal... Náuseas a tomaram... Toda sua força era trocada pelo sentimento de nojo, asco e sentia como se estivesse nua na frente de um estranho e tarado a lhe observar... Quando ele foi embora, ela realmente ficou pior... Suava frio...
Foi pra sua casa, tomou um banho... Pensou que dormiria, mas não. Acordava e nem conseguia ler um dos seus muitos livros ao lado da cama.
Acordou no dia seguinte ruim... Dores. Dores no rosto.
Medicou-se e estes não fizeram efeito! Teve uma tarde infernal...
Voltou pra casa.
Fez um chá. E voltou a sofrer...
Até quando viverá em mãos de pessoas que não aceitam sua liberdade.
Esse é o maior dom de um ser humano: liberdade. Sem liberdade não há como se amar, como se ter dignidade, fé, aceitação, educação...
Ninguém sabe explicar o que é, mas todos sabem que tem ou não em suas mãos. É muita querida e desejada, mas nem todos propiciam ou deleitam-se com sua morada.
Ela sabe que o mundo dá voltas, o tempo corre... As verdades se tornam evidentes.
Mas o tempo que leva para tudo se acomodar nós devidos lugares é um tempo que sempre é vivido na pressa. Pois quem tem fome e sede de justiça e liberdade, quer agora.
Ela confia numa justiça maior e perfeita, uma justiça que as pessoas podem não conseguir dar. Ela reza, chora e resmunga; pede, suplica e lamenta... Mas crê, profundamente na acolhida de seu Deus, de seus santos, da intercessão pela justiça e verdade.
Uma mulher de força, de luta, de gana, de fé, de sensibilidade, de amor e poesia... De maternidade!
Ela diz que acredita em casamento. Que deseja ter sua família unida e feliz. Sabe que terá essa oportunidade: constituir, junto a uma outra pessoa de bem, um lar.
Repudia as ações que não tem base no amor, na doação, na liberdade, no diálogo e na admiração ao outro.
Sofreu muito, sofre e é só.
Contudo, em seu coração, está trabalhando para limpar tudo o que lhe estragaram, pois chegará um dia, a oportunidade de poder fazer e dar-se o presente de uma família.
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