sexta-feira, 4 de julho de 2014

Os dias...

Ela tinha tanta responsabilidade que beirava a loucura... Achava que poderia ficar, realmente louca, com os dias.
Tinha dois filhos, um adolescente e o outro quase. Um precisava ser empurrado pra escola, embora inteligente... Era, na mesma proporção, preguiçoso. O outro tinha uma energia vulcânica e queria ser mais esperto que o mais velho, falava pelos "cotovelos" e sempre tinha alguma teoria incrível obre algo que ninguém se importava...
A mãe deles, tinha dois empregos e dava aula particular para crianças com dificuldades em Português e Matemática até o 5º ano. Trabalhava demais. 
Ainda assim, tentava manter organizado o apartamento de 3 dormitórios, dois animais de estimação, os trabalhos, o artesanato, as encomendas... As contas! Ah! As contas! 
Fazia comida em casa, quase diariamente... No sábado a noite, quando os meninos visitavam o pai e comiam porcarias, ela se dava ao direito de beber seu vinho - sempre após às 22 h, assim, tinha certeza que os filhos não voltariam e já tinha terminado a limpeza maior da dia residência. 

Tinha uma rotina fechada, com poucos intervalos.
Os dias eram intensos... As noites, quase sempre, mal dormidas. Como criar dois meninos nesses tempos? Com um pai tão fora do mundo real? Trabalhava é parecia que sempre faltava algo... As coisas escoavam pelos dedos...
Lutava, cansava... Voltava é não desistia.

Os dias, eram pra ela, de luta. Se sentia um animal fugindo pra não ser caçado... E ao final, quase não dormia, com medo de ser pega desprevenida! 

A angústia que sofria por querer sempre acertar era qualificada como alguém que não vivia.
Ela vivia, vivia seus dias, amava cada filho, cada trabalho, cada arte... Mas o mundo real, de dor, de frio, de lutas, de sobrevivência... Ela conhecia bem e deferenderia seus filhos como leoa.

Ninguém poderia amar mais que ela, ninguém poderia viver mais que ela para garantir tudo a eles: uma vida livre. Ninguém ajudava, mas também ninguém fazia parte ou tirava-lhe a atenção de seus queridos. 

Os dias, pra ela, eram vividos para quem amava.




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