quarta-feira, 9 de julho de 2014

Das Tristezas

Ela se sentia, mais uma vez, abandonada pela vida. 
Se existia algo que ela não consegui entender era o sentimento de abandono. Ser ou estar só não a incomodava. O mexia com ela, era o abandono, a desistência, as pessoas a deixarem...
Ela sentiu isso em sua família, viu isso com tantas pessoas... Ela, uma perfeccionista e perseverante, não aceitava a desistência de alguém por algo.

Ela sempre lutou por seus ideais, por seus amores e responsabilidades. 

Mas hoje foi tudo muito diferente. Vieram as lembranças doloridas da sua saída da casa onde morara. Onde dedicou parte de sua vida numa relação fadada ao término desde seu início.
Mas o pior foi o sentimento de tanto faz. Sim, acabara... Mas o como saiu, disse muito a ela. Ela não passou de uma aventura, de uma demonstração pública de revolta do outro contra sua família ditadora... Ela foi isso. 
Ela teve um sonho realizado, e esse sonho, o mundo dela, se fazia presente ali, ao seu lado. Um rapaz que ainda merecia muita atenção, educação e amor. 

Todos os demais, não o amavam como ela. Seu sonho, seus maiores desejos eram para esse amor infinito.

O medo de se arriscar, de perder até o que não tem, a faz entrar em pânico. 
A tristeza de ser alguém rejeitado é grande, mas ser abandonada é como ser traída. 
Ela reviveu essas tristezas... Não havia como acomodar as lágrimas dentro dos seus olhos.
Chorou, pediu ajuda divina, rezou... Chorou é soluçou.

E das tristezas...
A pior era de saber, que do pior, esse ainda era o melhor. Ela havia saído de seu cárcere, poderia ter o mundo aos seus pés... Mas estava ali, nua, no frio e sem ninguém...

Das tristezas, o "sem ninguém" é a pior delas...








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